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Mais da metade das crianças no mundo sofre algum tipo de violência, denuncia UNICEF

Quinta 04 de Setembro de 2026 Mais da metade das crianças no mundo sofre algum tipo de violência, denuncia UNICEF

O mundo enfrenta uma combinação cada vez mais preocupante de catástrofes naturais, conflitos, crises humanitárias e falta de recursos, com consequências particularmente graves para as crianças. Nas últimas semanas, comunidades inteiras foram devastadas por desastres no Nepal, na China, na Colômbia, na Indonésia e na Venezuela. Ao mesmo tempo, as necessidades humanitárias e de apoio ao desenvolvimento infantil continuam crescendo, enquanto os recursos disponíveis para responder a essas emergências diminuem.

No marco de seu 80º aniversário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca que o tema da Assembleia Geral deste ano, “Nações Unidas a serviço de todos”, ganha um significado especial quando aplicado à proteção das crianças. Criado em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, para atender milhões de crianças que enfrentavam fome, deslocamento e um futuro incerto, o UNICEF transformou-se ao longo de oito décadas em uma das principais organizações internacionais dedicadas à sobrevivência, ao desenvolvimento e aos direitos da infância.

Entre os principais avanços alcançados estão a ampliação da vacinação, a terapia de reidratação oral, o incentivo ao aleitamento materno, a melhoria da nutrição, o acesso à água potável e ao saneamento e o fortalecimento da atenção básica de saúde. Esses esforços contribuíram para uma das maiores conquistas da saúde pública mundial: desde 1990, a taxa global de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu 60%. Doenças que anteriormente provocavam milhões de mortes ou casos de deficiência foram drasticamente reduzidas, e a poliomielite chegou perto de ser erradicada em escala global.

Apesar desses progressos, o UNICEF alerta que as crianças de hoje enfrentam desafios que eram difíceis de imaginar quando a organização foi criada. Cerca de 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola, enquanto centenas de milhões que frequentam instituições de ensino não conseguem adquirir competências fundamentais. A organização defende uma resposta urgente à crise da aprendizagem e ressalta que tecnologias digitais e inteligência artificial devem fortalecer, e não substituir, os investimentos em professores e sistemas educacionais.

As desigualdades também permanecem profundas no acesso a serviços essenciais. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável e 3,4 bilhões não dispõem de saneamento adequado, situação que aumenta a exposição a doenças graves, como a cólera. Paralelamente, mais da metade das crianças do mundo sofre algum tipo de violência todos os anos, seja em casa, nas escolas, nas comunidades ou, cada vez mais, no ambiente digital. O impacto dessas experiências pode acompanhar as vítimas durante toda a vida.

As emergências humanitárias tornam esse cenário ainda mais dramático. Na República Democrática do Congo, segundo os dados apresentados, mais de 300 crianças morreram durante o pior surto de Ebola registrado no país. A epidemia também provocou efeitos indiretos: entre abril e junho, a utilização de serviços essenciais de saúde caiu mais de 40% nas áreas afetadas, enquanto a vacinação infantil de rotina, os cuidados maternos e outros serviços fundamentais sofreram interrupções. Ao mesmo tempo, equipes do UNICEF trabalham para atender crianças e famílias em crises na Palestina e em outras partes do Oriente Médio, no Sudão, Myanmar, Nepal, Ucrânia, Iêmen, Síria, Venezuela e outras regiões.

A organização também chama atenção para o impacto crescente das ameaças ambientais sobre a infância, incluindo ondas de calor extremo, poluição atmosférica, água contaminada e exposição a substâncias tóxicas. Em situações de guerra e crise, o trabalho humanitário enfrenta ainda obstáculos como a falta de acesso às populações necessitadas e a insuficiência de recursos. O UNICEF reforça que crianças e infraestrutura civil precisam ser protegidas, enquanto os trabalhadores humanitários devem ter condições de chegar com segurança às pessoas afetadas, em conformidade com o direito internacional.

Ao completar 80 anos, o UNICEF afirma que a data não deve servir apenas para recordar conquistas passadas, mas para renovar o compromisso com o futuro. A experiência das últimas oito décadas, segundo a organização, demonstra que avanços duradouros dependem de cooperação internacional, investimentos constantes e fortalecimento dos sistemas dos quais as crianças dependem. Diante do crescimento das crises humanitárias, a mensagem é direta: proteger as crianças exige decisões políticas e investimentos que garantam não apenas sua sobrevivência, mas também educação, saúde, segurança, dignidade e oportunidades para construir o futuro.

Fonte: Cançao Nova Not<br />https://noticias.cancaonova.com

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